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Além da Porteira

Publicado em 08/8/17 ás 02:43

Questão Hídrica – Um paradigma a ser quebrado

Há vinte e dois anos, na Cidade de Prado, foi realizada uma reunião para tratar das Bacias hidrográficas dos Rios Alcobaça,  Jucuruçu e Peruípe, na ocasião o debate focou na crítica sobre a monocultura do  eucalipto, afinal  até  hoje essa monocultura é tida como a grande vilã, promotora  do secamento de rios, lagoas e nascentes. Em Eunápolis e em Porto Seguro foram realizados  eventos desta natureza para tratar do mesmo assunto, com grande repercussão regional.  Além disso,  em todas as reuniões  nas Comunidades ou dos Conselhos Municipais esse tema é abordado insistentemente.

De lá para cá, não se viu nenhuma ação dos governos Federal,  Estadual ou Municipal  para tratar do assunto de forma objetiva e operacional, além do debate teórico, ( sem comprovação científica),  político promocional, no domínio do discurso politicamente correto.

O INEMA foi criado para fazer a gestão das águas que estabelece interface com outros  atores,  como o Ministério Público , Ibama e as Secretarias de Meio Ambiente (Estadual e Municipal),  que tem nesse debate participação, responsabilidade  e proposituras para enriquecer as discussões,  buscando  soluções para este enfrentamento.

Pois, bem, pergunta-se o que realmente foi feito. Que entendimento foi engendrado na compreensão deste fenômeno que se abate sobre a região?

Essa pergunta esta na boca de todos aqueles que se debruçam sobre o assunto e muitas vezes até participam  com boas intenções nestas reuniões  temáticas .

Na ultima que participei, surgiu a informação que o Governo Estadual  estuda implantar um sistema de cobrança pelo uso da agua, alegando que usará os recursos para criar programas de preservação ou seja, mais um imposto sobre os agricultores, que malgrado as dificuldades ainda persiste em produzir e ofertar empregos no meio rural.

Ora, é  cobrado um imposto por metro de madeira,  justificado para plantar um determinado número de plantas, pergunto,  onde já se viu um mísero centavo deste imposto empregado em reflorestamento? Assim também o imposto da agua, certamente terá outro e pouco nobre destino.

É necessário antes de tudo, estudar o fenômeno, identificar as causas e partir para ações consistentes e operacionais.

Neste caso, compreender que a seca  é cíclica, com abrangência  regional, que o modus de produção, agrava mais a situação. Tanto a monocultura do eucalipto, como as práticas da agricultura  mecanizada, da pecuária que  esgota e  drena as lagoas e baixadas,  que desmata e transforma as matas ciliares em pastagens, aliado ao  inevitável  e  natural compactação do solo pelos animais. No conjunto este tipo de exploração promove o mais danoso impacto ao meio ambiente no que diz respeito a manutenção das aguas.

A seca é agravada por essas práticas, mas não é a razão principal, se assim fosse, a região de Itabuna, Ilhéus, Camacan, Valença, Una, ou seja, o Sul da Bahia, detentora do maior fragmento da Mata Atlântica estaria medrando agua por todos os lados, mas, a realidade é que lá está tão ou mais seco que aqui.

Portanto, o que  precisamos é, evitar a perda desta água para o mar, a palavra de ordem deve ser, preservar e acumular água através de implantação de  pequenas barragens ao longo dos cursos d’agua  e revitalizar as nascentes. Essa agua vai aos poucos se infiltrando no solo, mantendo o nível do lençol freático e até restaurando nascentes em níveis mais baixos, revitalizando a fauna e a flora e disponibilizando agua para o uso responsável e racional, com monitoria de vizinhos e agentes públicos.

É preciso, flexibilizar e agilizar as liberações de Outorga, o Estado precisa contratar mais Agentes de Fiscalização, permitir o acúmulo de água somente em períodos de chuvas, construir as barragens em períodos de seca,  permitindo a passagem de agua (tubo com registro no fundo da barragem), e nos períodos chuvosos reter  para o enchimento destas barragens. Exigir o cercamento das  APP’s   promovendo reuniões com os proprietários de áreas adjacentes aos vales , para sensibiliza-los sobre a importância das ações preservacionistas.

O discurso politicamente correto, carregado de ideologia político/partidária tem que acabar, o hábito de organizar reuniões  só é boa para os animadores de grupos, mas até o momento  não resultaram em nada.  É necessário permitir que o pragmatismo dos técnicos, cuja visão científica e orgânica, tenha oportunidade de apresentar soluções realistas para que a região possa conviver com a seca, continuar produzindo com sustentabilidade,  gerando cada vez mais riquezas, empregos no campo e na cidade com distribuição de renda e oportunidades.

Reconheço o esforço a boa fé e o espírito público de todos os que até o momento lutam por esta causa (pessoas e  instituições), faço o convite para que possamos encarar uma luta com novas propostas e com a finalidade de sair do debate onde nossas vozes ecoam nas paredes das salas e voltam para nossos ouvidos e partir  para a prática e o bom combate, quebrando os paradigmas e enfrentando a inércia do poder público.

Ivan Dias da Rocha é Técnico em Agropecuária, Pedagogo, Licenciado em Estudos Sociais,  Especialista em Planejamento Educacional e Formação Docente,  Funcionário Público Federal e Estadual, Professor de História na Rede Estadual de Ensino e chefe do Escritório Local da Ceplac de Teixeira  de Freitas. Participou do Primeiro Curso Internacional em Aperfeiçoamento e Implantação de Sistemas Agroflorestais pela Embrapa, foi Palestrante no Primeiro Módulo de Capacitação Continuada em Sistemas Agroflorestais em Alta Floresta – MT ( EMBRAPA), além de palestrar em todos os Municípios da região do Ecótono  do Estado de Mato Grosso, capacitando agricultores e técnicos neste conteúdo.

Ivan Dias da Rocha.

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Publicado em 05/4/17 ás 18:36

Avanços biotecnológicos promovem aumento de produtividade e diminuição de custos

Produtividade no campo é questão de inteligência. Sei que não muitos, mas, alguns já ouviram falar que uma determinada região é campeã em produção e, a outra, em produtividade. Esse fenômeno acontece, por exemplo, entre a Bahia e o Espírito Santo. Vou ilustrar melhor: a Bahia, em 2015, foi considerada o Estado maior produtor de mamão do Brasil, e o Espírito Santo, o maior em produtividade. Este segundo, com uma produção média de 68 toneladas/ha/ano.

O segredo para ser campeão em produtividade está na tecnologia que consegue usar adequadamente a terra, injetando nela as propriedades e nutrientes adequados para cada cultura. Com isso, o produtor consegue produzir mais em espaços menores, minimizando a mão-de-obra e reduzindo custos.

Muita gente não consegue ganhar dinheiro com a agricultura por não confiar na tecnologia e, consequentemente, nos técnicos. Cada cultura tem suas necessidades e particularidades que precisam ser respeitadas, caso contrário, é prejuízo na certa. As realidades produtivas são complexas.

Sei que ao ler a palavra complexa, deu vontade de desistir, no entanto, eu te convido a persistir, pois os benefícios que os avanços biotecnológicos podem trazer para o setor agrícola e para o meio ambiente valem a pena, sem falar que o retorno econômico é muito maior, como no caso do café, onde o retorno de quem investe em tecnologia chega a ser três vezes maior.  Isso significa mais rentabilidade, principalmente para os pequenos produtores.

A principal aposta do Governo Federal para impulsionar a produtividade agrícola está sendo o investimento na irrigação por gotejamento, que nos apresenta um aproveitamento de cerca de 95% da água e do adubo, gerando o triplo de produtividade.

Fica, então, na nossa coluna de hoje, a sugestão para quem é pequeno, médio, ou, grande produtor: invista em tecnologia e vai se surpreender com os resultados.

Boa semana a todos!

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Publicado em 04/21/17 ás 19:22

O imenso potencial do agronegócio em Teixeira de Freitas

As regiões extremo sul da Bahia e norte do Espírito Santo, devido a vários fatores,  como localização privilegiada (próximas ao Oceano Atlântico e cortadas pela BR-101), chuvas mais ou menos regulares, topografia  plana – facilitando a mecanização, solo  leve ( arenoargiloso) e o preço acessível  das terras, na época,  foram “invadidas” pelas plantações de eucalipto e se tornaram referência mundial em produtividade(recorde de metros cúbicos de madeira por hectare, de  variedades de plantas melhoradas geneticamente para a região) e em volume. Não é à toa que, além de centenas de milhares de hectares, elas abrigam três imensas fábricas de celulose:  a Fibria, em Aracruz/ES, a Suzano, em  Mucuri/BA, e a Veracel, em Eunápolis/BA.

Toda essa mudança no cenário regional gerou um enorme êxodo rural, tensão no campo, inchaço de cidades (crescimento mais rápido que o desenvolvimento) como Teixeira de Freitas e Eunápolis, e muito dinheiro circulando na região, porém, também veio a falsa fama de que só temos eucalipto.

Teixeira de Freitas, por exemplo, é o maior produtor de melancia da Bahia e um dos maiores do Brasil, grande produtor de abóbora, mandioca, mamão, cana de açúcar, pecuária de corte etc. A pecuária de leite e o café merecem um capítulo a parte. Se a vizinha Ibirapuã tem o maior laticínio do Norte e Nordeste do país, boa parte desse leite vai de Teixeira;  e a produção de café está em franco crescimento, quer pela  demorada estiagem no norte do Espírito Santo,  quer pela enorme influência capixaba no nosso meio rural.

Ainda temos em nosso município milhares de hectares de terras ociosas, pastagens degradadas ou lavouras de baixo nível  tecnológico,  esperando o  despertar das lideranças políticas , empresariais e sindicais  para elaborarem políticas públicas e condições favoráveis ao investimento  no setor, que  já responde positivamente, embora desprezado. Imagine quando for prioridade  nos projetos.

Embora todos saibamos que temos os fatores positivos e naturais citados  no início do texto, acrescido do conhecimento gerado diariamente pelas pesquisas nas universidades e empresas de tecnologia , o tempo não para e o potencial não pode ser visto como uma força parada esperando o futuro chegar, e, sim, como a solução de muitos problemas no campo e na cidade.

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Publicado em 04/9/17 ás 23:01

Agricultura familiar versus agronegócio 

 

Nada é mais falso do que o implantado nas mentes menos avisadas de nossas cidades afirmando que existe uma luta do bem contra o mal, do pequeno contra o grande, entre os produtores rurais desse país.

Na verdade, existe um grande jogo de interesse de ambos os lados para se propagar suas superadas ideologias.

De um lado, os pregadores da luta de classes mentem ao afirmar que só a agricultura familiar produz para abastecer o país e o agronegócio produz para exportar. Que os pequenos são sustentáveis, enquanto os grandes, devastadores.

Há que se pontuar, ainda, o fato de que os que defendem o atraso da derrubada de florestas, do trabalho escravo no campo e de miseráveis índices de produtividade sujam a água na qual nadam todos os produtores grandes e pequenos, a ponto de um deputado  que defende uma causa de interesse dos produtores no Parlamento brasileiro ser pejorativamente chamado de “membro da bancada ruralista” – como se isso fosse um defeito.

Enquanto isso, a grande maioria, ou seja, os que defendem o equilíbrio e a razão, segue longe dos extremistas de direita ou de esquerda, produzindo, respeitando as leis, observando a reserva legal, a mata ciliar, a assistência técnica, os conceitos de cooperação, esperando melhores estradas, portos, ferrovias e armazéns, segurança jurídica, políticas públicas com programas objetivos e atualizados etc. E chuva em abundância mais ou menos na hora certa.

Parece que é pedir muito, mas, isso tudo é fundamental para o pequeno, médio ou grande produtor rural, que, com seu trabalho e/ou investimento, compõe o grupo de brasileiros que seguem em frente, contra tudo e contra todos, fazendo desse país um celeiro do mundo, com reservas e potencial para que de grão em grão, de quilo em quilo, ele se torne a maior potência agrícola do planeta.

Quem viver verá.

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Publicado em 04/5/17 ás 11:27

DA CIDADE PARA O CAMPO

Na segunda metade do século 20 ocorreu o gigantesco êxodo rural em nosso país.

Atraídos pela industrialização e seus empregos, em busca de melhores condições de vida, como saúde, educação e lazer, milhões de brasileiros saíram do campo para cidades – que não estavam preparadas para aquele impacto.
Hoje, somos um país urbano, com cidades que incharam mais do que cresceram e geram desemprego e insegurança.   Variando um pouco de uma região para outra, mas, o certo é que  menos de 30% da população produz o alimento que será consumido pelos outros 70% ou mais.
E o campo tem dado conta do recado, amparado pela determinação e força de trabalho de seus produtores, pelas novas técnicas de produção e melhoramento genético desenvolvidos em quase todos os segmentos, pelas universidades e empresas de pesquisa. E, finalmente, pelo avanço da assistência técnica e extensão rural pública e privada, plantamos e criamos mais e melhor  a cada ano…
Pelo feijão com arroz e carne, pelo café com leite, pelas frutas, verduras e legumes que diariamente abastecem as nossas mesas, aos excedentes da produção de soja, milho, algodão, mamão e vários outros produtos que lotam os porões dos milhares de navios, carretas e aviões cargueiros que partem em direção aos mais variados países em todos os continentes do planeta, temos muito que comemorar.
Se o nosso campo é o responsável pelo único setor da economia brasileira que tem segurado a onda por décadas a fio, os seus problemas também são medidos em toneladas. E clamam por solução.
Na primeira metade do século 21 chegou a hora da mudança de rota, da alteração do olhar. Se querem enfrentar as crises, se querem mais empregos e mais produção, mais água e melhor atmosfera, a saída, quer seja na esfera dos governos (federal, estadual e municipal), ou, no âmbito das empresas e instituições, está no campo.
CHEGOU A HORA DE OLHAR DA CIDADE PARA O CAMPO.
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